INFORMAÇÕES IMPORTANTES PARA PESSOAS QUE DESEJAM ESTUDAR NOS ESTADOS UNIDOS

Os sistemas acadêmicos brasileiro e americano são um pouco diferentes sob alguns aspectos. O propósito deste artigo é explicar algumas das diferenças mais básicas entre os dois sistemas, visando auxiliar o leitor nos seus estudos

ENSINO BÁSICO

No Brasil temos o primeiro grau, seguido do segundo. Lá o primeiro grau (que incorpora os antigos cursos primário e ginasial) tem oito anos, e no Brasil, agora tem nove. Aqui o equivalente é o elementary school, ou grade school, nos primeiros quatro anos, seguidos do middle school (5a. a 8a. séries), que juntos perfazem oito anos. Há diferença no segundo grau. Ao passo que no Brasil o 2o. grau tem três anos, aqui tem quatro. Existem alguns cursos de segundo grau no Brasil com quatro anos: os cursos técnicos ministrados nas Escolas Técnicas Federais. O curso de segundo grau daqui chama-se High School, ou Senior High School. Cabe aqui uma observação. Certos distritos escolares americanos têm o Junior e o Senior High School. Normalmente, o primeiro incorpora o oitavo ano do middle school, até o primeiro ou segundo ano do High School. O Senior High School nessas áreas vai do segundo/terceiro ano do High School, até o quarto ano. A distinção é meramente administrativa.

O importante é lembrar que a escolaridade básica nos Estados Unidos tem doze anos, ao passo que no Brasil tem onze. Isso às vezes pode criar confusões em faculdades que não estão familiarizadas com o sistema brasileiro, pois nossos históricos escolares frequentemente dão a impressão de cursos incompletos.

Para matricular seu filho no estudo básico, basta apresentar os históricos escolares e certificados de conclusão pertinentes, devidamente traduzidos (veja informações sobre traduções mais adiante). Na maioria dos casos também é necessário apresentar (devidamente traduzido) o atestado de vacinação. Quase sempre seu filho perderá pelo menos um semestre, devido a defasagem entre os anos letivos.

O ANO LETIVO

Os anos letivos são diferentes nos dois países. Ao passo que no Brasil geralmente inicia em fevereiro/março, terminando em novembro/dezembro, aqui ele começa em setembro, terminando em maio do ano seguinte. Portanto, no Brasil o ano letivo se enquadra dentro de um único ano civil, mas aqui dois semestres em anos civis diferentes. Isso significa que normalmente as crianças brasileiras que se matriculam em escolas americanas acabam perdendo pelo menos meio ano de estudos.

NOMENCLATURA

Tanto no High School quanto na Faculdade, criaram-se designações para cada um dos quatro anos dos cursos. São estas:

Freshman = primeiranista

Sophomore = segundanista

Junior = terceiranista

Senior = quartanista.

Um erro de nomenclatura comumente feito é que o ex-curso colegial brasileiro não corresponde ao college americano, que equivale à nossa faculdade. Da mesma forma colégio não é college. A seguir, discuto outras discrepâncias, principalmente no tocante ao termo graduação.

 

DIFERENÇAS CURRICULARES

Alguns anos atrás o currículo brasileiro era considerado muito mais rigoroso do que o americano. Há um pouco de verdade e também de mentira bairrista nessa afirmação.

Primeiramente, há que se diferenciar entre o currículo teórico das escolas públicas brasileiras e o efetivo. O ensino público no Brasil caiu muito de qualidade nos últimos vinte anos. A afirmação da primeira linha poderia ser verdadeira trinta anos atrás, mas hoje em dia creio ser exagerada. Os componentes curriculares existem no Brasil, mas o ensino efetivo desses é na melhor das hipóteses, incompleto. Por outro lado, cada distrito escolar americano é diferente do outro. Não se pode comparar as escolas públicas da cidade de Nova York com as escolas públicas de Short Hills, New Jersey, por exemplo. Comunidades mais ricas como Short Hills têm sistemas secundários públicos mais rigorosos do que as melhores escolas particulares do Brasil! Essa tremenda variação de currículos nos EUA dá a aparência de fraqueza generalizada.

Na média, o ensino de idiomas estrangeiros no Brasil é efetivamente superior (pois é obrigatório e já é ensinado a partir da quinta série), e pelo, menos no papel, o ensino das ciências  também seria superior. É triste frisar que por mais forte que seja o ensino científico na sala de aula, esse é incompleto sem laboratórios, que praticamente não existem no sistema público brasileiro.

A FACULDADE – TERCEIRO GRAU

Visto que não há vestibular nos Estados Unidos, não há cursinho também. Para entrar na universidade, o aluno americano (ou residente) deve fazer um exame que se chama SAT (Scholastic Aptitude Test), que é um exame básico de inglês e matemática. Com base no score obtido, o aluno é aceito ou rejeitado. Obviamente, as faculdades mais nobres exigem scores mais altos.

O SAT na realidade não se aplica ao estudante que não fez high school aqui. Nesse caso, o aluno deve fazer o exame TOEFL, que é basicamente um exame que mede o nível de conhecimento de inglês do candidato. O TOEFL é um exame mais difícil do que o SAT( que chega a ser mais intuitivo do que técnico). As instituições acadêmicas querem se certificar de que os seus alunos estrangeiros realmente compreendam o idioma inglês antes de iniciar o curso – nada mais lógico.

Por mais que o brasileiro (branco) não se considere latino, por julgar o termo pejorativo, na realidade diminui as suas possibilidades de aceitação na maioria das instituições acadêmicas, ao marcar raça branco/caucasiano nos documentos de matrícula. Muitas entitades determinam cotas para raças diferentes, dando preferência a raças desprivilegiadas – como os latinos. Os anti-latinos também diminuem a possibilidade de receber ajuda financeira. Esse artigo não é um tratado antropológico, mas parece-me que somos tão latinos quanto o argentino e o colombiano, por exemplo. Pense bem antes de marcar taxativamente branco/caucasiano.

Um fato que causa muita confusão é que o nível escolar que chamamos de graduação no Brasil é chamado de undergraduate nos Estados Unidos. O graduate school americano corresponde à nossa pós-graduação (mestrado em diante). O vulgo curso de pós-graduação lato sensu não existe nos Estados Unidos, onde o aluno sempre adquire um título. O mais próximo do lato sensu seria continuing education, que não tem muito peso por não ser considerado curso de nível de pós-graduação, e sim, educação complementar a nível de graduação.

É importante também notar a existência dos associate degrees nos EUA, cursos de terceiro grau de dois anos, ministrados em “Community College”. Normalmente são usados como trampolim por pessoas com qualificação academica ou financeira anterior, que depois terminam o curso de quatro anos (bacharelado) ou prosseguem sua escolaridade a nivel de pós graduação. É uma das melhores pedidas para o brasileiro que vive nos EUA, já que as exigências para aceitação são menos rigorosas

Uma diferença muito importante é que certos cursos profissionais, que no Brasil são cursos de graduação, aqui são cursos de pós graduação. Dois exemplos: medicina e direito. (Efetivamente, com a residência e cursos de especialização o médico brasileiro acaba tendo nível de pós graduação. O mesmo não se diz dos advogados, que, ironias das ironias, são indiscriminadamente chamados de doutores apesar de, na maior parte dos casos, terem meramente graduação). Nos EUA o aluno deve primeiro fazer quatro anos do curso undergraduate (graduação) para depois se inscrever nos cursos de medicina ou direito. Cabe frisar que os cursos de direito e medicina nos Estados Unidos são muito mais rigorosos do que os equivalentes brasileiros, visto que são cursos de pós-graduação, concebidos para estudantes mais maduros e com uma formação acadêmica mais avançada. Por isso mesmo, o titulo de Médico brasileiro não pode ser considerado Doutorado em Medicina. O uso da expressão “Doutor” é mais uma tradição vernacular, do que realidade acadêmica.

Na realidade, existe uma inversão de dificuldade entre o sistema brasileiro e o americano. Ao passo que no Brasil é difícil entrar na faculdade (depois de entrar é relativamente fácil concluir o curso), aqui o difícil é continuar nela. Nos EUA é fácil entrar na universidade, só que o ensino é relativamente muito mais puxado a nível de terceiro grau do que nos níveis precedentes.

Ainda assim, a situação mudou nos últimos dez anos, por uma série de razões que não cabe discutir aqui, pois sairia do foco principal deste artigo. Houve uma certa diluição do ensino universitário nos Estados Unidos, pelo menos a nível de graduação. Quase não se  bomba alunos hoje em dia: os piores alunos frequentemente passam com nota C. Em compensação, na maioria dos casos também se faz muito pouco somente com o diploma de bacharelado. Cada vez mais é necessário fazer cursos de pós-graduação para se ter uma formação razoável. Um bacharelado em psicologia nos Estados Unidos significa pouca coisa, por exemplo. Outro exemplo: ao passo que muitos professores universitários no Brasil não chegam a ter nem mestrado, aqui esse título é uma exigência mínima para a profissão. E a maioria tem doutorado (Ph.D) ou mesmo pós-doutorado. Existe uma tendência de expandir o número total de anos de escolaridade. Alguns gostam de chamar isso eufemisticamente de democratização da educação.

O QUE FAZER PARA ENTRAR NA FACULDADE?

Seria impossível escrever um artigo completo sobre o assunto, visto que há literalmente milhares de instituições de ensino superior nos Estados Unidos, com uma imensa variação de exigências. Portanto, abrangerei o assunto de um modo muito geral, pois em alguns casos as exigências variam até mesmo entre os diversos departamentos de uma só faculdade.

Você deve ter, no mínimo, o diploma do curso secundário. Se estiver se inscrevendo em um curso de graduação (de novo, undergraduate), mas já tem alguns anos de faculdade no Brasil, é possível que a sua faculdade daqui aceite alguns créditos. Isso não só é interessante por diminuir o tempo necessário para concluir o curso, mas também sob a ótica econômica: o custo dos seus estudos será proporcional ao número de créditos a cumprir.

Qualquer que seja o caso, terá de fazer o TOEFL e obter traduções certificadas do diploma e histórico escolar da sua última escolaridade. (Em alguns casos pedem também os documentos do seu penúltimo nível escolar, além de atestados de vacinação).

Tome muito cuidado ao providenciar as traduções dos seus documentos. Essas devem ser feitas por tradutor profissional e devidamente credenciado. Traduções feitas por agências de viagem, lojas, particulares e agências de remessa de dinheiro não são aceitas pela grande maioria das instituições acadêmicas, mesmo se forem notarizadas. Fazê-las nesses lugares é a mesma coisa que jogar dinheiro fora. Não tente fazer a tradução por conta própria. Além disso, a maioria das instituições não reconhece traduções feitas por tradutores juramentados brasileiros, mesmo se forem legalizadas pelo Consulado Americano local. Isso é mais do que justo, visto que o governo brasileiro não mais reconhece traduções feitas em outros países.

Algumas faculdades têm exigências mais rigorosas do que outras. Enquanto umas exigem que o tradutor profissional lacre o documento, outras requerem que o próprio histórico seja recebido em envelope lacrado pelo tradutor, que deve assinar um termo de responsabilidade. Normalmente, as faculdades mais nobres (as chamadas Ivy league schools) são as mais exigentes. Leia as instruções com cuidado e siga-as à risca.

Certas faculdades exigem que após feita a tradução certificada, seja obtida uma equivalência do documento, elaborada por entidade credenciada . Há diversas razões para isso. No Brasil as avaliações são absolutas na grande maioria das faculdades, ao passo que aqui são relativas. Ou seja, no Brasil a maioria das instituicões de ensino superior dá notas numéricas, geralmente na escala de 0 a 10, designando uma nota mínima para aprovação (geralmente 5 ou 7). No sistema relativo de avaliação, as notas são dadas em letras (de A a F), com fundamentação  estatística. Portanto, em alguns casos é necessário fazer uma equivalência do documento acadêmico antes que esse seja examinado pela faculdade. A agência emite um parecer sobre o seu documento e sobre o sistema acadêmico do Brasil. Não obtenha essa equivalência sem que seja explicitamente pedida pela instituição americana, pois não é uma exigência generalizada, e é cara. Se a sua faculdade tem material descritivo sobre o critério de avaliação, é prudente solicitá-lo, por via das dúvidas.

Obviamente, as faculdades de mais prestigio do Brasil (como USP, UNICAMP, FGV, as diversas PUC, etc) são mais consideradas do que entidades de segunda linha. Nesse último caso, a universidade frequentemente (mas nem sempre) exige que o aluno obtenha uma minuta do curso (course outline), e providencie a tradução do mesmo. A minuta é uma descrição detalhada e individual de todas as matérias do currículo. Com isso a entidade americana procura avaliar a qualidade do currículo ministrado pela entidade desconhecida do outro país. Novamente, a consideração econômica é importante. Traduzir a minuta e obter um bom número de créditos pode resultar na economia de milhares de dólares em matrícula e alguns anos de estudo. Se o número de créditos for muito pequeno, na realidade vale mais a pena fazer o curso de novo. Outra consideração: se você estudou educação física no Brasil, e agora quer estudar filosofia, é bem possível que quase nenhum crédito do seu curso original seja aceito pela universidade daqui, por equivalência.

A entidade americana não é obrigada a aceitar o curso feito no exterior. Muitas vezes, se você já tem alguns anos (ou curso completo) de faculdade, ela pode considerar que você tem somente nível secundário. Isso é uma prerrogativa da faculdade. Não adianta brigar. Nesse caso, procure outra faculdade, pois as instituições têm critérios diferentes.

Aliás, é interessante inscrever-se em diversas faculdades ao mesmo tempo, pois isso aumenta a sua possibilidade de sucesso. Se você teve boas notas e é estudioso, procure pesquisar previamente o conceito da universidade – isso é muito importante, principalmente se deseja fazer pós-graduação posteriormente.

PÓS-GRADUAÇÃO

Os critérios para matrícula em cursos de pós-graduação são mais rigorosos ainda, principalmente nas Ivy League Schools. A maioria exige que você obtenha cartas de recomendação de ex-professores, que comprovem o seu desempenho acadêmico. Essas podem ser escritas em inglês ou traduzidas do português. Recomendamos que não peça as cartas em inglês – acreditem ou não, há diversos professores universitários no Brasil que pensam que falam inglês, e acabam escrevendo cartas que mais atrapalham do que ajudam. Uma carta escrita em inglês ininteligível pode prejudicar a sua matrícula.

Além de exigirem o TOEFL, as universidades podem exigir outros exames para admissão, dependendo da sua área de estudo. Esses são bem mais difíceis do que o SAT e o TOEFL, e você deve se preparar adequadamente. Há cursinhos preparatórios, por exemplo, o Kaplan, que podem prepará-lo para o TOEFL, GED ou qualquer outro exame de admissão.

Em algumas universidades e programas é possível fazer o doutorado direto, pulandoo mestrado. Obviamente, o curso é mais longo do que um mestrado, mas você pode economizar um ano ou mais se fizer isso, na maioria dos casos.

EQUIVALÊNCIA DE CURSOS PROFISSIONAIS

Como era de se esperar, obter a equivalência de cursos profissionais, como medicina, direito, engenharia e odontologia, é um processo difícil e muitas vezes frustrante. Cada estado tem exigências diferentes, e normalmente o credenciamento é exclusivamente estadual. Ou seja, se você se credencia na Flórida, não pode exercer a profissão no estado de Nova York, etc., etc.. Poder-se-ia dizer que os critérios são mais rigorosos para o estrangeiro do que para os próprios americanos, o que faz sentido. Não restaria um único médico no Brasil (e em diversos outros países) se assim não fosse!!!

No caso especifico do direito, pela própria característica da disciplina é necessário estudar muito inglês antes de focalizar no direito em si, se é que você pensa em realmente passar o bar examination. Também é importante notar a ênfase do direito consuetudinário no sistema americano, em detrimento do direito romano. Além disso, é necessário completar um número x de créditos em uma faculdade de direito local (o número varia de estado para estado); ou seja, você não pode simplesmente se inscrever e arriscar.

Em outras profissões menos remuneradas, com maior procura do que oferta (por exemplo, enfermagem e magistério primário), os critérios de equivalência são bem mais liberais. Entretanto, ainda assim variam de estado para estado, e o próprio credenciamento/licença é estadual, e não federal. Lembre-se sempre que o nome do país é Estados Unidos por uma boa razão: os estados têm um bom grau de autonomia em relação ao governo federal.

Ao providenciar a sua equivalência profissional, é necessário traduzir seus documentos acadêmicos, como se estivesse se matriculando normalmente num curso. As mesmas advertências sobre a tradução de documentos, feitas acima, cabem nesse caso.

Por último, lamento informar que não temos informações adicionais sobre os critérios de credenciamento profissional ou sobre instituições específicas. Portanto, peço-lhes que se furtem de solicitar essas informações junto ao nosso escritório.

http://www.legaltranslationsystems.com

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